PROJECT APPROACH / ABORDAGEM PROJETUAL
1. THE INITIAL PROJECTS ARE THE FIRST MARK OF COHERENCE THAT RUNS THROUGH YOUR ENTIRE BODY OF WORK.

They carry a significant responsibility, for better or worse. If we are fortunate to create good works in the beginning, not necessarily large but well-executed, which bring us added responsibility, it tends to shape our journey. It’s all about that first moment.

1. OS PRIMEIROS PROJETOS SÃO A PRIMEIRA MARCA DE COERÊNCIA QUE PERPASSA POR TODA A SUA OBRA.

Trazem uma responsabilidade muito grande, para o bem e para o mal. Se tivermos a felicidade de fazer boas obras no início, não têm que ser grandes, mas bem conseguidas, que nos tragam alguma responsabilidade acrescida, isso tende a moldar o nosso percurso. Tudo tem a ver com o primeiro momento.

2.IN THE IDEA OF THE PROJECT AS A "STRATEGIC ACT," DOES THIS PRELIMINARY STRATEGY ALSO CONSTITUTE PART OF THE ACT?

I’m always concerned with the conceptual aspect of strategy. The project is not just a response! There is a request, but it must have something more, and nearly every step we take has to be justified. This procedural component isn’t easy to convey, but for me, it’s as important in the creative process as the final product. Moreover, I strive for buildings to have their own soul. To evoke a sense of awe… Without losing sight of rigor and quality…

Assuming I have principles from the Porto School, roots from my education, I’m aware of the need for freedom… and not being confined to any rigidity…

2. NA IDEIA DO PROJETO ENQUANTO “ATO ESTRATÉGICO”, ESTA ESTRATÉGIA PRÉVIA TAMBÉM FAZ PARTE DO ATO?

Estou sempre preocupado com a parte conceptual ao nível da estratégia. O projeto não é só uma resposta! Há um pedido, mas ele tem que ter algo mais, e quase todos os passos que se dão têm que ser justificados. Essa componente processual não é fácil de transmitir, mas para mim é tão ou mais importante no processo criativo do que o produto final. De resto, procuro que os edifícios tenham uma alma própria. Que possam causar arrepios… Sem perder de vista o rigor e a qualidade…

Admitindo que tenha em mim princípios da escola do Porto, raízes da minha formação, tenho consciente a necessidade de liberdade… e de não ficar preso a nenhuma rigidez…

3. O SEU PROCESSO SEGUE ALGUM ALINHAMENTO?

Não são alinhamentos visíveis, imediatos… Mas há alinhamentos. Começa-se a perceber uma determinada linha de pensamento, mas não é aquela linha gráfica de desenho, mimética, em que tudo no projeto é resolvido de um modo formatado… Não me parece que esteja agarrado a esse tipo de formalismos. Mas há uma linha que se percebe no percurso, associada ao processo criativo e de permanente inconformismo, que tento incentivar.

ARQUITECTURA E DESIGN
1. ANTES DA ARQUITETURA VEIO O DESIGN DE PRODUTO?

Foi a minha primeira oportunidade de trabalho. No início, muito focado no mobiliário de escritório, porque o meu pai tinha uma fábrica de mobiliário metálico. Considero que isso influenciou a minha forma de estar e de ver o projeto.

2. EM QUE ASPETOS ISSO É MAIS NOTÓRIO?

Muita gente diz que o design complementa a arquitetura, mas julgo que não é bem assim. São duas disciplinas distintas. Mas há sempre um processo criativo e de comunicação, que privilegia o desenho e que influencia muito a forma de estar e pensar. O design de produto também é muito complexo… Nunca me preocupei muito se a peça fazia a diferença, mas se ela se identificava plenamente com o utilizador. A arquitetura deve ter a mesma preocupação: a satisfação do cliente. É fundamental termos uma boa noção da importância do mercado. Peças sem mercado não fazem sentido. A tecnologia disponível é outro aspeto a considerar. Desenhar para uma determinada fábrica/empresa não é a mesma coisa que
desenhar para outra. É preciso pensar um pouco nisto tudo.

3. NA PROFISSÃO EXISTE SEMPRE UMA POSTURA INDIVIDUAL… CONTRARIA A IDEIA PRECONCEBIDA DO ARQUITETO EGOCÊNTRICO, “VIRADO PARA O UMBIGO”?

No design industrial é mais complicado ter essa postura. O produto só tem sucesso se souber responder bem às preocupações que referi. Se for um objeto de egocentrismo, o mais certo é ter uma vida reduzida.

O produto tem de se justificar, identificar-se com a entidade e reforçar a marca. Essa experiência trouxe-me algumas mais-valias, nomeadamente um comportamento mais exigente na arquitetura.

BRASIL
1.  PORQUÊ O MERCADO BRASILEIRO?

É muito importante a língua na valorização da comunicação. Há sentimentos e gestos que dizem muito. E, claro, há também o clima… (sorriso largo). Depois, lá como cá, há sempre espaço para se fazer bem. E há um nicho que nos permite propor e fazer trabalho…

2. EM TERMOS ESTRATÉGICOS É SEMPRE FUNDAMENTAL A PRESENÇA? MAIS DO QUE FICAR DEPENDENTE DE UMA ÂNCORA FUNDADA NUM OUTRO COLEGA OU GABINETE LOCAL…

Sim e também é necessário saber adequar as estruturas. Quando são mais pesadas podem criar dificuldades. É preciso alimentá-las. Se elas se alimentam de forma natural é uma coisa. Quando têm de ser alimentadas à força torna-se tudo mais complexo. Nós não estamos nessa posição.

3. E PORQUÊ SÃO PAULO?

Nunca seria a cidade que elegeria como destino. Mas acabei por a escolher como centro de trabalho. Convidaram-me para entrar num concurso por convites para fazer um edifício com alguma altura, o que aqui seria quase impossível. Mas para aquele tipo de trabalho os brasileiros costumam responder com quase esculturas, com formas mais ou menos conseguidas, organizando-se depois o espaço interno. Onde o que conta é a fachada e a volumetria. Nesse concurso estavam algumas referências da arquitectura. No momento de decidirem o vencedor, tendo ficado apenas nós e um outro concorrente, o cliente foi honesto connosco e disse-nos que estando em causa aquilo a que chamam um edifício de alto padrão, apesar de gostar muito do nosso trabalho e tendo vontade de adjudicar, considerava que não dávamos todas as garantias na execução e acompanhamento. E a principal razão era porque não tínhamos lá escritório. Ainda argumentei que ia abrir um, mas perdi esse trabalho… Foi para um escritório paulista…

Mas o cliente gostou da nossa proposta e mostrou aos amigos. Hoje tenho consciência de que foi por isso que começaram a surgir outros trabalhos. Uma grande incorporadora (construtora imobiliária) a maior em termos mediáticos, deu-nos a oportunidade de apresentar o nosso trabalho. Fizemos a apresentação em vídeo, com a nossa produção ao nível do design, arquitetura, cidade… Decorridos 15 dias estava a encomendar-nos um projeto. Reconheço que esse trabalho nos abriu muitas portas. Estamos preparados para fazer arquitetura em todo o mundo.

CONFIDÊNCIAS
1. DÁ IMPORTÂNCIA À IRREVERÊNCIA NO SEU TRABALHO?

Sempre! Não sei se é tão visível ou notória quanto pretendemos. Mas procuramos transmitir uma mensagem. Defendo que um projeto tem de ter uma ideia forte, que resulta de sensibilidades, traduzidas nos contactos com o cliente, o lugar, etc. Moldo tudo a uma ideia base que tem a ver com as primeiras sensibilidades.

Acredito muito nas primeiras sensações, fruto dos primeiros contactos. Isso dá resposta à questão anterior, que é a base de todo o processo. É a partir daí, dessa ideia que tem de ser forte, desse sentimento primeiro, que se molda todo o processo. Isso implica seguir caminhos, nem sempre os mais corretos, mas que só sabemos incorretos porque passámos por eles. É nesse percurso que procuramos e encontramos as melhores saídas.

2. HÁ ALGUM DESAFIO PARTICULAR AINDA POR REALIZAR? SENTE-SE JÁ PLENAMENTE REALIZADO? OU NÃO PENSA NISSO?

Penso nisso. O nosso percurso é pautado pelo sucesso que vamos tendo. Tenho ambições. Mas elas não passam só pela escala ou pelo exercício projetual. Há outros domínios que gostava de desenvolver muito mais. A comunicação é hoje fundamental para a compreensão de todo o processo.